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BIO

Sou Millennial — a última geração que viveu o mundo de forma analógica e digital, a um só tempo.

Nasci em Maringá, no Paraná, filho de pais advogados e, tempo depois, divorciados. A família também foi a reunião entre paulistanos e sulistas (sul do Paraná e Santa Catarina, descendentes da Europa central, razão pela qual sou, curiosamente, também cidadão do pequeno principado de Luxemburgo; coisas das raízes emaranhadas da nossa História). 

 

Cresci na frente da televisão, nos anos 80 e 90. Era o início de uma era de mídia para crianças, rapidamente transformada em indústria. Minha adolescência aconteceu junto do acesso à internet. Com 15 anos, assinando uma coluna no jornal local, reuni patrocinadores, comprei um modem e o resto é história: a internet do ICQ, IRC e Undernet, Napster e Geocities se tornou parte integral da minha experiência de mundo: madrugadas a dentro por pulsos telefônicos. Criei meus primeiros websites, fiz contatos com comunidades internacionais de conhecimento, fiz amigos, relacionamentos, desafetos. Sou parte da última geração que viveu a era da transição de mídias.

Aos 18 anos, me mudei para o Rio de Janeiro para prestar vestibular na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Passei em Comunicação Social, com ênfase em teoria de mídia e sociedade globalizada tecnológica. Foi ali que entrei em contato com pensadores como Nietzsche, Deleuze, Foucault e outros. Mestres inspiradores foram Henrique Antoun, Ieda Tucherman, Consuelo Lins, Eduardo Coutinho e outros. Minha tese, defendida em 2007, foi sobre o IRC e comunidades de conhecimento online (disponível no site). O tema veio naturalmente, uma vez que o IRC era uma ferramenta que eu conhecia de forma profunda como usuário.

Fiz estágios em agências de publicidade e departamentos de marketing, e depois de formado, de volta ao Paraná, trabalhei como designer estratégico para editorias de arquitetura, moda e design.

Um ano depois de formado, em 2008, me candidatei a um programa de Mestrado na Universidade de Jyväskylä, na Finlândia. Era um departamento conectado a outras Universidades nos países nórdicos (Universidade de Blekinge na Suécia, Universidade de Bergen na Noruega, Universidade Tecnológica de Copenhagen). O programa era o estudo teórico da cultura tecnológica, na época chamado de digital culture e organizado pelo Prof. Raine Koskimaa, pioneiro no estudo de hipertexto como artefatos culturais, e prolífico pesquisador de jogos eletrônicos.

Produzi inúmeros artigos e trabalhos de arte digital, classificados a rigor como new media art. Tive aulas, acesso e contato com artistas como Igor Stromajer, Leonardo Flores, Mark Amerikka. E também a teóricos da mídia digital, como Bolter & Grusin, Sean Cubitt, Norman Fairclough, Alex Galloway, Henry Jenkins e Lev Manovich, este último, com quem me correspondo até hoje. 

 

Depois do Mestrado, terminado em 2010, criei meu próprio selo de design no Paraná, onde trabalhei com inúmeras empresas buscando estratégias de comunicação que explorassem design, mídia e novos meios. Era preciso pagar as contas, e viajar — estava namorando Noora,  que conheci na Universidade num curso de cinema documental, e que visitei com alguma frequência em Helsinki depois de voltar ao Brasil. Nos casamos alguns anos depois, em 2014.

O Doutorado foi fruto de um diálogo com meu orientador de Mestrado, Raine. Estabelecemos que o tema seria sobre hermenêutica do texto digital, e estávamos entusiasmado com a criação do termo "paramídia" para descrever adaptações da teoria de Gerard Genette sobre paratextos (disponível no site para download). A novidade causou algum rebuliço entre as Universidades parceiras, que acabaram se adiantando e publicando um livro sobre o tema de forma apressada, com um editor de reputação questionável (há quem diga que o meio acadêmico tem dessas coisas, e posso testemunhar a favor disso). Mesmo assim, a tese saiu e com ela participei, entre outras, conferências, da Media in Transition 8, do MIT, cujo patrono foi o próprio Henry Jenkins. 

Antes de concluir a tese, estava trabalhando como service designer — uma profissão com outros equivalentes no Brasil. Basicamente, pesquisa-se de forma etnográfica o consumidor, para que se desenhe o serviço ou produto com o usuário "ao centro". É uma tarefa estratégica, visual, sensorial, estética, sociológica, mercadológica.

 

Algumas dessas atividades me ajudaram a escrever meu primeiro romance, Capricórnia, publicado em São Paulo pelo Eduardo Lacerda, na Editora Patuá. Foi um projeto intenso de criação, cujo cenário são as estruturas sociais e culturais do interior do Paraná, um cenário que, inclusive, acho riquíssimo e inexplorado. No Brasil, damos muita atenção a Rio, São Paulo, Nordeste ou Rio Grande do Sul, mas cada microrregião tem suas particularidades. Muitas cenas do livro se passam às beiras de estrada que vi viajando com meu avô, que era administrador de fazendas. 

 

Depois de três anos neste mercado de design e tecnologia, estava na agência Nordic Morning, uma agência grande de service design e gerenciamento de dados. Ali, percebendo a novidade que vinha para ficar, decidi entrar para um time de Analytics, e entender como se agregam dados de usuário em grande escala. Minha carreira seguiria até que me tornasse Data Scientist, com foco em análise de marketing. Mas as possibilidades me pareceram restritas.

 

Foi quando a Jane Vita, também paranaense radicada em Helsinki, me ofereceu um contrato com a Digitalist, uma agência com líderes talentosos que trabalharam pesquisando usuários ao redor do mundo para a Nokia, nos chamados "Nokia years". Foram experiências valiosas, onde viajei para Suécia, Canadá e Itália trabalhando intensamente com executivos e times de designers.

 

A partir dali, me juntei à Idean, pioneira finlandesa em User Experience ("experiência de usuário" me parece um pouco forçoso, é um termo nascido na internet...). A Idean trabalhou nos primeiros anos do iPhone com a Apple, e tinha entre clientes outros gigantes da tecnologia. Com estúdios em Helsinki, Londres, Barcelona, Paris e San Francisco, era uma comunidade vibrante de entusiastas de design. E importantemente, estava dando ouvidos à minha evangelização a respeito de dados de usuários como fonte de riqueza para insights.

Quando entrei para a Idean estava ocorrendo um processo grande de fusão. O grupo Capgemini estava adquirindo a Idean e várias outras agências, como a icônica frog design (eles fizeram o Oculus Rift do Facebook e outros tantos trabalhos para Apple e Google), a Purpose de Nova York (especializada em propósito e causas ambientais e sociais) e outras. Isso sempre significa incerteza, mas fiquei mais confiante: o  Capgemini Research Institute, em Paris, foi premiado sucessivas vezes como o melhor instituto de pesquisa de tecnologia e tendência do mundo. 

Logo depois, a Capgemini adquiriu outras agências, inclusive a frog design. Isso deixou os designers em polvorosa, porque a frog é uma empresa icônica na história do design. Nascina da Alemanha, mudou-se ainda jovem para a Califórnia para trabalhar com a Apple nos seus primeiros anos, e o resto é história.

Hoje, sou designer líder na frog design, na sucursal filandesa. Atuo na interseção de tecnologia, cultura, sociedade e o que nos faz humanos. Faço isso no trabalho e nos projetos culturais que conduzo, muitos deles citados aqui no site.

 

É difícil achar tempo para tudo: em especial porque temos, em casa, dois projetinhos prioritários, Amos e Noa, nossos filhos.