Fake news: Bolsonaro e o método russo

O documentário da HBO Agentes do Caos explicita em detalhes o modus operandi da Rússia na influência das eleições americanas — e denuncia, por tabela, como Bolsonaro (e a Secom, seus filhos e o Gabinete do Ódio), agem no Brasil.


O retrato é detalhado sobre a milícia de trolls russos que interferiram pela eleição do Trump. Estou sinceramente alarmado porque é exatamente o que vemos acontecendo, por exemplo, no Twitter e no Facebook, a partir do gabinete do ódio comandado por Carlos Bolsonaro e Fábio Wajngarten.


Funciona assim: o gabinete (na Rússia era uma agência chamada IRA, Internet Research Agency) cria um blog de um blogueiro falso. Eles criam então um jornal local falso. E aí criam perfis inautênticos nas redes sociais.

O que se segue é isso: 1. O blog falso posta uma notícia. 2. O jornal falso repercute a notícia. 3. Um perfil falso compartilha nas redes sociais. 4. Os demais perfis falsos curtem e compartilham. 5. Os perfis falsos comentam em caixas de comentário de jornais, elogiando seu candidato, comentando a “narrativa” que querem promover.


E é isso. Foi assim que eles simplesmente DIVIDIRAM A UCRÂNIA num estado próximo a uma guerra civil. A fabricação de notícias foi intensa e eficaz.

Mas essa não foi a primeira ação desses trolls. Primeiro eles foram usados por Putin para estabelecer a narrativa diária da Rússia. E culminou numa eleição (de voto impresso) onde este grande aliado de Trump concorreu a uma eleição em que os votos já estavam impressos dentro das urnas, como registrado por inúmeros eleitores que filmaram as urnas.


A CPI das fake news foi sobre os brios do STF e de alguns parlamentares. Não deu em nada. Se vemos esses robôs comentando em toda página de revista e jornal no Facebook, por que não se faz nada? É preciso rever a legislação sobre autenticidade online — enquanto se passar por alguém, ou por uma multitude de perfis falsos for apenas violação das regras do Facebook, a opinião pública está passível de intensa manipulação.

Metamorfose bolsonarista

Meu projeto de livro, Bolha, requer mais tempo pesquisando do que escrevendo. Há um ano, me infiltrei no Parler, a rede social de direita, pra pesquisar o espectro que ronda o bolsonarismo. Criei um p

Mídia e tecnologia: Ser visto / ser humano

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