Mídia e tecnologia: Ser visto / ser humano

Estes dois trechos de ‘I’m thinking of ending things’ falam muito comigo. No primeiro, eles discutem um ensaio de David Foster Wallace, dizendo que as pessoas bonitas na televisão acabam por nos deixar mais inseguros. Vivemos um flerte contínuo com elas, e acabamos diminuídos conforme elas nos ‘vêem’. Lembro muito de um episódio: aos seis anos, na praia, ainda de pijama, apareceu num programa o Trem da Alegria. Um daqueles programas feitos para vender discos da Som Livre. Lembro que fiquei de trás da parede, só espiando a TV. Estava com vergonha de estar de pijama na presença deles, arrumados para a festa.

No segundo, ele fala sobre saber ser humano. Perdemos a noção originária do que é ser humano, quando vemos a vida representada com tanta intensidade por meio de tecnologias. Conforme imitamos essas simulações a todo o tempo — hoje, na rede social, produzindo a mídia que representa a nós mesmos — esquecemos que estamos imitando simulações do humano, e criando simulações do humano. A televisão como fenômeno agigantado acabou, mas há muito mais a se discutir sobre mídia, representação e nós mesmos.

Metamorfose bolsonarista

Meu projeto de livro, Bolha, requer mais tempo pesquisando do que escrevendo. Há um ano, me infiltrei no Parler, a rede social de direita, pra pesquisar o espectro que ronda o bolsonarismo. Criei um p

Desvio de atenção: o problema de Carol Conká

Fenômenos culturais devem ser interpretados por seus efeitos — que sempre são calculados; do contrário, não permaneceriam no ar. É o efeito, em especial, da representatividade que opera na televisão: