Metamorfose bolsonarista

Meu projeto de livro, Bolha, requer mais tempo pesquisando do que escrevendo. Há um ano, me infiltrei no Parler, a rede social de direita, pra pesquisar o espectro que ronda o bolsonarismo. Criei um perfil falso no Twitter e um na dita rede social, com foto, nome, sobrenome. “Católico, neoliberal e patriota!”.


Num diário relativamente detalhado, estou descrevendo cronologicamente as sensações dessa metamorfose — uma técnica de pesquisa que uso muito no trabalho.


Muito curioso sentir, psíquica e fisicamente, o conflito em aceitar a dissonância entre nossa própria imagem e o apoio ao que há de mais abjeto nessas posições políticas. Ou a sensação perturbadoramente edificante de encontrar amigos instantâneos, receptivos, acolhedores. Essa sensação se intensifica, em especial, quando o vínculo é fortalecido pela hostilização de outros grupos. Nessa fantasia mórbida, os Bolsonaros parecem amigos próximos, gente como a gente, e luta-se na arena como se eles pudessem ouvi-los.


O conteúdo, contudo, é o que há de mais apavorante. A conexão com a realidade é fluida e displicente. Como não existem mocinhos na nossa esfera pública, fica fácil misturar crítica e notícias falsas, e soar razoável. A realidade fica muito próxima da ficção mais absurda. É uma rede com mais de 100 mil pessoas e uma produção de fake news incessante. Trago logo mais trechos.


É um thriller de horror onde, realmente, melhor não tentar entrar do outro lado da tela.

Mídia e tecnologia: Ser visto / ser humano

Estes dois trechos de ‘I’m thinking of ending things’ falam muito comigo. No primeiro, eles discutem um ensaio de David Foster Wallace, dizendo que as pessoas bonitas na televisão acabam por nos deixa

Desvio de atenção: o problema de Carol Conká

Fenômenos culturais devem ser interpretados por seus efeitos — que sempre são calculados; do contrário, não permaneceriam no ar. É o efeito, em especial, da representatividade que opera na televisão: